domingo, 25 de novembro de 2012

Escuridão não mais!



Você passou tanto tempo dentro de um quarto escuro, com medo de sair e encontrar as coisas como você deixou. A escuridão não te deixava mais ver os seus erros. Quando abria seus olhos, não via nada além da escuridão que tomou conta de ti. Era mais seguro. Solitário, triste, mas bem previsível e não sairia do seu controle como todas as outras vezes. Porque admitir e aceitar uma derrota é difícil, sem contar com as mágoas que ela traz. São marcas profundas e difíceis de curar e sabemos que perdoar é algo divino e nada fácil.
Mas em um certo momento, você abre seus olhos e nota que um pequeno raio de luz surgiu no cantinho do quarto. Fica sem entender direito como aquele raio conseguiu vencer a escuridão que mantém dentro de si. É neste momento que você sente seu coração bater novamente, num ritmo suave, como se tocasse uma melodia e essa melodia fosse curando essas dores que sufocaram seus sentimentos por tanto tempo.
Já é bom sentir o coração bater novamente e você já começa a sentir forças o suficiente para abrir a porta daquele quarto e sair para a vida. Ao andar, ainda sente seu corpo fraco, a claridade incomoda, mas quem disse que recomeçar é fácil?! Fácil não é, mas também não é impossível. Seus olhos começam a encher de lágrimas ao escutar os risos, as vozes, a música e se pergunta como pôde se privar daquilo por tanto tempo. Nessa hora, percebe como o medo tem o poder de aprisionar almas, sonhos, vidas dentro de quartos escuros. Mas hoje você venceu o seu medo, ergueu a cabeça e deu o primeiro de tantos outros passos que ainda dará em busca da sua felicidade. Agora sabe que o caminho não será fácil, mas consegue admitir que é humano e  que, para que uma pedra preciosa se torne graciosa, ela precisa ser lapidada assim como você.
Mas lembre-se, você irá cair várias vezes, mas faça dessas quedas um motivo maior para continuar a seguir e não e se esconder. Não permita que palavras, atitudes, sentimentos alheios lhe tirem o colorido da vida a tornando escura novamente. Eu sei que as palavras são como a areia da praia que se vão com o vento, então escreva em seu coração e dali não sairá mais. A vida é curta e não podemos encurtá-la ainda mais com nossos medos. E lembre-se, perdoar é um dom.



Hary Sampaio

sábado, 10 de março de 2012

De tanto jeito e meio assim...

Sou forte. 
Meio doce e meio ácida. 
Em alguns dias acho que sou fraca.
 E boba. 
Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. 
Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. 
Sou forte sim, mas também choro. 
Sou gente. 
Sou humana. 
Sou manhosa. 
Sou assim. 
Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez.
Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. 
E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). 
Tampouco quero ser comum e normal. 
Quero ser simplesmente eu. 
Quero rir, sorrir e chorar. 
Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. 
Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito 
quando insisto em algo que não dá resultado. 
Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. 
Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. 
Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. 
Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. 
Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. 
Se der pra resolver, vamos lá! 
Se não dá, deixa pra lá. 
A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. 
Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. 
Não quero saber tudo e nem ser racional. 
Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. 
E essa é a melhor parte de mim.

(Clarissa Corrêa)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tanta coisa...



O que eu sou depende de como você me ver.
Depende do que seus olhos me descrevem...
Posso ser tanta coisa,
posso ser nada,
ter várias facetas
ou ter apenas uma cara.
Posso ser aquela mulher,
aquela menina...
Pra você posso ser até vadia,
santa, egoísta...
Posso ser a garota mais fácil que teve,
a mulher mais difícil de entender...
Sou sua concorrente, sua aliada,
sua cumplice, o seu oposto.
e até o seu espelho,
mas isso quem me diz é você...
Se sou magra, se sou gorda,
Se sou bonita ou sem graça.
Se entende por que ele gosta de mim
ou não faz ideia porque ele
 me ama tanto assim,
eu não me importo,
o que eu sou não vai mudar a sua forma de me olhar...
Eu posso ser tudo ou nada,
só depende de como você me ver,
mas isso não vai mudar quem eu sou.

Hary Sampaio

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mudando a direção...


Às vezes é necessário fazermos algo por nós, então eu decidi mudar, mesmo que isso custe um pouco do meu coração. Mas antes um pouco que ele todo. Abrir mão de alguma coisa ou de alguém para buscarmos a felicidade em outro caminho. Não por não ter tentado buscar por esse caminho, mas chega a hora em que suas forças acabam e você só quer simplesmente mudar a direção.
Com tantos tropeços e tantas pedras que te jogam, seu coração vai formando uma barreira invisível e tudo que vier contra ele, volta...
Neste ano que entrou, vamos fazer tudo novo. Não novas mentiras, novas mágoas, novos desentendimentos. Não. Fazer das oportunidades novas um começo, do novo amor um recomeço, jogar as tristezas passadas no mar e pedir que as ondas levem para mais longe que puder.
Pra ser feliz, você não precisa se sujeitar a migalhas e muito menos se apegar a lembranças boas do passado, o nome já diz, são lembranças e elas não voltam.
Tem que dar um passo de cada vez e não sair correndo, você acaba não percebendo o que está ao seu lado nessa corrida maluca e  velocidade mata.
Caminhando você sente o cheiro de mato, escuta os pássaros, escuta mais fácil o seu coração. Vê as pessoas em volta, aprecia a estrada, pula as pedras. Ao correr, você pode tropeçar, cair e se arrebentar.
E se por acaso você cair e se arrebentar, chore tudo o que tiver que chorar, desabafe, ponha pra fora o que sufoca. Quando amamos e nos machucamos, as lágrimas lavam por dentro e quando secam o sentimento se redireciona. Isso faz parte do que eu sou, e o que eu faço é não colocar mascaras naquilo que estou sentindo. Até porque as mascaras pesam e um dia elas caem. Isso não tem nada haver com sua cor, sua situação financeira ou de como você consegue disfarçar o que sente, a verdade por mais que demore sempre vem a átona.
Ganhamos mais um ano pra fazer a diferença seja na nossa vida ou na vida de alguém. A oportunidade de tirar aqueles planos do papel e colocar em prática. De mudar de emprego, de profissão, porque não?  Temos um ano para tentarmos não cometer os mesmo erros do passado, colocando eles em uma cartilha e que todas as vezes que nos esquecermos de como foi é só dá uma olhadinha e já mudamos de direção.
Eu sei que falar e fácil e que colocar em pratica nossas palavras é uma tarefa complicada, mas não impossível. Um clichê, mas que seja assim: Ano novo, vida nova!

Hary Sampaio


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Difícil Amar



É fácil amar o outro na mesa de bar, 
quando o papo é leve, 
o riso é farto, e o chope é gelado.
                                               É fácil amar o outro nas férias de verão,
 no churrasco de domingo, 
nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
                                                  Difícil é amar quando o outro desaba. 
Quando não acredita em mais nada. 
E entende tudo errado. 
E paralisa. 
E se vitimiza. 
E perde o charme. 
O prazo. 
A identidade. 
A coerência. 
O rebolado.
                                     Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente
do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido 
com alguém que não aceitamos que ele esteja.
       Difícil é permanecer ao seu lado 
quando parece que todos já foram embora. 
Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. 
Quando o seu pedido de ajuda, 
verbalizado ou não, 
exige que a gente saia do nosso egoísmo, 
do nosso sossego, 
da nossa rigidez, 
do nosso faz-de-conta, 
para caminhar humanamente ao seu encontro.
                                               Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, 
o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. 
Eu não acredito na existência de botões, 
alavancas, recursos afins, 
que façam as dores mais abissais desaparecerem, 
nos tempos mais devastadores, por pura mágica. 
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação,
 no gesto aliado à vontade, e, especialmente, 
no amor que recebemos, 
nas temporadas difíceis, 
de quem não desiste da gente.” 


                                                                                             Ana Jácomo